Os números alarmantes da obesidade: o que fazer?

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A insuficiente prática desportiva é uma das principais causas da obesidade, e não só! Estima-se que, a nível mundial, perto de 3,2 milhões de mortes por anos estejam relacionadas com a falta de exercício, associada a outros comportamentos de risco como o álcool, o tabaco e dietas pouco cuidadas e equilibradas.

 

Os dados nacionais ao nível da saúde são esclarecedores: segundo os dados do Instituto Nacional Doutor Ricardo Jorge, 32,2% das crianças portuguesas entre os 6 e os 9 anos têm excesso de peso; 14,6% são obesas e 17,6% pré-obesas. Outros dados publicados pelo Instituto do Desporto de Portugal, I.P. (IDP, I.P.) identificaram prevalências de excesso de peso e obesidade entre os adultos de cerca de 51,5% e de 75% entre os idosos[1]. Neste contexto, Portugal ocupa já o 5.º lugar no ranking dos países com maior prevalência de excesso de peso e obesidade. A título de exemplo, para fazer face a uma geração de jovens obesos, o Governo britânico recomenda que as crianças com 3 anos tenham pelo menos 3 horas de exercício físico por dia. Esta indicação vai muito para além das recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), as quais assentam numa base diária de cerca de 60 minutos de atividade física de intensidade moderada no caso das crianças e jovens e de pelo menos 30 minutos no caso dos adultos (150 minutos semanais). A obesidade infantil é um dos mais sérios problemas de saúde pública, quer na Europa, quer no resto do mundo. Por ano, a incidência cifra-se nos 400 mil novos casos de obesidade infantil os quais se juntam a uma prevalência já existente de cerca de 45 milhões de crianças com excesso de peso ou obesidade.

A OMS lançou uma iniciativa a pedido dos Estados-Membros da União Europeia com a intenção de instalar um sistema de vigilância da obesidade infantil. O WHO – European Childhood Obesity Surveillance Initiative, constitui o primeiro Sistema Europeu de Vigilância Nutricional Infantil, tendo Portugal assumido a coordenação europeia desta iniciativa (estudo que, a nível nacional se designa por “COSI – Portugal”). Os resultados do COSI mostram alguns dados interessantes:

  • Os rapazes apresentam uma maior estatura e peso do que as raparigas;
  • A média da estatura verificada nos rapazes foi 124,3 cm e de 122,4 cm nas raparigas, tendo o peso assumido um valor médio de 27,3 kg e 26,6 kg, respetivamente nos rapazes e raparigas;
  • a prevalência de pré-obesidade foi de 18,1% (P85 ≤ IMC ≥ P95) e de obesidade 13,9% (IMC ≥ P95), somando uma prevalência de 32% de excesso de peso
  • a região que mostrou maior prevalência de pré-obesidade e obesidade foi a dos Açores (21,7% e 20,7%, respetivamente para rapazes e raparigas) e a que mostrou menor prevalência de pré-obesidade e obesidade, foi a região do Algarve (10,7% e 6,8%, respetivamente).

Calcula-se que o custo anual com a obesidade em Portugal possa rondar os 2,7 mil milhões de euros, sendo que mais de 1,350 mil milhões se traduzem em custos diretos com a doença da diabetes. Estas são duas das principais patologias associadas aos novos hábitos alimentares e essencialmente à inatividade física da população. A estes dados, acrescenta-se ainda o estudo nacional da Sociedade Portuguesa de Ciências da Nutrição e Alimentação, que refere que o excesso de peso (i) ultrapassa os 57% nos bebés até 2 anos, (ii) atinge os 49,1% entre as crianças dos 3 aos 5 anos, (iii) chega aos 31,9% na população infantil entre os 6 e os 9 anos e (iv) representa cerca de 17,7% entre os 10 e os 13 anos.

Mais de metade das crianças a viver em Portugal até aos 5 anos de idade tem excesso de peso e obesidade, revelando valores superiores aos de referência usados pela Direção-Geral de Saúde – peso, altura e massa corporal. Uma intervenção célere e eficaz urge contra esta tendência, que tem demonstrado ser cada vez mais crescente com o passar dos anos e certamente irá culminar num colapso do sistema nacional de saúde em Portugal. Ao combate da obesidade devem assumir os mais diferentes protagonistas – estado, empresas, instituições de ensino e agentes desportivos, sob pena das gerações mais velhas poder vir a assistir a morte das gerações mais novas. É importante tomar consciência deste problema e começar a atuar no imediato através da integração de um plano de ação que começa em casa, mas é complementado com a orientação das escolas e com o suporte de instâncias como ginásios e centros de atividades dos municípios!

[1] Instituto do Desporto de Portugal, I.P. (2009b). Estatísticas do Desporto 1996- 2009. Lisboa: IDP, I.P.

Luiz Santos, Diretor Técnico do FIT IT

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