Exercício físico: risco ou solução em tempos de pandemia?

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O exercício físico contribui para a garantir os níveis de saúde física e mental da população, quanto a isso parece não haver dúvidas. Mas  num contexto de pandemia, torna-se ainda mais importante a prática de exercício ou devemos, pelo contrário, proteger-nos e evitar esta prática?

Estudos recentes apontam para a prática regular de exercício físico como a melhor opção para garantir os níveis de saúde e bem-estar da população em dias de pandemia.O exercício físico vai contribuir ainda decisivamente para a prevenção e/ou como coadjuvante para o tratamento de doenças diversas, nomeadamente àquelas de base sistémica, do sistema imunitário e neurológico. Não restam, por isso, dúvidas, que hoje mais do que nunca, treinar é uma solução para a nossa saúde e não constitui um risco!

Num estudo recente publicado pelo American College of Sports Medicine[1] são apontados os principais benefícios do exercício físico e algumas recomendações para a população se manter ativa e em segurança. De forma resumida podemos estabelecer alguns pontos importantes:

1. O exercício físico quando praticado de forma regular e sistematizado vai contribuir para reduzir a gravidade e as consequências da infeção por COVID-19. Senão vejamos! No cumprimento das suas funções o nosso sistema imunitário vai detetar a intrusão do vírus nos pulmões e reagir para garantir a homeostase. O resultado deste confronto é o processo inflamatório, que, por consequência, vai causar danos nas vias respiratórias e comprometer as trocas gasosas, por vezes sendo necessário nalguns doentes a ventilação mecânica. O exercício físico assume neste contexto uma função de promotor e potencializador do sistema imunitário, como redutor dos processos inflamatórios ao fortalecer os processos biológicos e o sistema respiratório. Portanto ficou demonstrado que o exercício físico de intensidade moderada (caminhadas e ciclismo) obtiveram um melhor impacto sobre os exercícios vigorosos.

2. O exercício físico demonstrou ser eficaz tanto para tratar das doenças cardiovasculares como também da obesidade, da diabetes, osteoporose, doenças pulmonares, entre outras, e mais oito tipos de cancro já criteriosamente comprovados através de evidência científica. Todas elas relacionadas intimamente com o aumento do risco de agravamento dos sintomas e a morte dos infetados com o novo coronavírus.

3. sinais e sintomas de ansiedade e depressão aumentam à medida que a pandemia exponencialmente evolui e o isolamento social se agudiza; a instabilidade económica se agrava e os sistemas de saúde dão sinais de rotura. Uma vez mais o exercício físico, enquanto agente promotor da saúde e do bem-estar vai dar respostas positivas contra os agentes potenciadores de stress (medo, ansiedade, depressão, etc.). Como? Um dos seus efeitos crónicos diz respeito a regulação dos níveis de cortisol (hormona que controla o stress) e vai possibilitar criar os meios bioquímicos para que o cérebro possa estimular a produção de endorfinas, uma substância considerada como um “analgésico” natural produzida pelo nosso próprio organismo. As endorfinas melhoram a função cerebral e ajudam a reduzir os quadros de ansiedade e pânico.

Outro recente artigo publicado na revista Medrxiv.org[2] vem citar um estudo conclusivo sobre os níveis suficientes de exercício físico que estão associados a uma menor prevalência de hospitalizações e internamentos relacionados com o COVID-19. Ficou demonstrado que praticar exercício físico pelo menos 150 minutos por semana, de intensidade moderada, como por exemplo correr, pedalar, praticar yoga, pilates ou 75 minutos de atividade vigorosa, reduzem essa prevalência em até 34,3%. Podem e devem ainda ser realizados exercícios físicos de força muscular e que envolvam os grandes grupos musculares, como por exemplo sentar e levantar de uma cadeira ou agachar e se por de pé com pouco peso nas mãos ou tão somente com o peso do próprio corpo.

Conclusão: o exercício físico regular é consensualmente recomendado pelas mais diferentes instituições e categorias profissionais em todo o mundo e há cada vez mais evidências de que a sua prática pode contribuir para a prevenção da doença COVID-19 e as suas comorbidades, principalmente por atenuar os seus efeitos e contribuir para uma melhor qualidade de vida após a infeção.

[1] Medicine AAC of S. Staying Physically Active During the COVID-19 Pandemic [Internet]. 2020 [cited 2020 May 8]. p. 2. Available from: https://www.acsm.org/readresearch/newsroom/news-releases/news-detail/2020/03/16/staying-physically-activeduring-covid-19-pandemic
[2] https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.10.14.20212704v
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